Waldir com
dois anos de idade e, no
player, Dinorah
(Benedito Lacerda - José
Ramos). Esta gravação foi
relançada no CD Waldir Calmon - Sua
Orquestra, Conjunto e Piano,
do selo Revivendo.
Waldir
Calmon Gomes nasceu em Rio Novo,
pequena cidade da zona da
mata mineira, em 30 de
janeiro de 1919 (ver
mapa).
Reza a lenda que, quando
Waldir nasceu, a luz de Rio
Novo, que estava às escuras
há três dias, voltou...
Abaixo, homenagem do jornal
Rio Novo, em setembro de
1990, ao ilustre filho da
cidade. Clique na foto para
ampliá-la.
Primeiro dos quatro filhos
de Helena e Waldemar, teve uma infância
pobre. Sua mãe ensinou música a todos os
filhos, mas só Waldir demonstrou real
interesse pela arte.
Helena Calmon era uma menina rica que
foi deserdada quando fugiu para se casar
com Waldemar - um rapaz muito pobre. A
partir daí, teve uma vida de privações
até sua morte, com 42 anos. Porém,
conseguiu transmitir aos filhos a
educação requintada que teve. Na foto
acima, Waldir com 2 anos de idade.
Abaixo, duas fotos de Rio Novo na época
da infância de Waldir: a primeira mostra
a construção da estação de trem em 1928,
e a segunda, a praça central em 1930.
Aos catorze anos, Waldir
formou um pequeno conjunto com baixo,
piano, bateria, trompete e sax. O grupo
apresentava-se em bailes por Rio Novo e
Waldir, além de tocar piano, cantava no
estilo de Orlando Silva.
Seu pai não
aprovou a iniciativa, mas os rapazes
continuaram assim mesmo, pois o conjunto
era um sucesso. "Éramos os únicos da
cidade. Tinha que dar certo!",
divertia-se Waldir. Pouco
tempo depois, foi estudar na
Academia de Comércio de Juiz de Fora,
Minas Gerais. Em 1936, com 17 anos, veio
para o Rio de Janeiro, trazendo uma
carta de apresentação para o compositor
e flautista Benedito Lacerda. Graças a
essa amizade, conseguiu um pequeno
trabalho como cantor e pianista na rádio
Guanabara e apresentou-se em
programas de grande audiência, como O
Nosso Programa, de
Ataulfo Alves
e Raul Longras, e Samba e Outras
Coisas, de Marília e Henrique
Batista - ambos na rádio Cruzeiro do
Sul. A convite de Eva Todor,
começou a tocar também nos intervalos de
seu espetáculo no teatro Rival. Waldir
logo desistiu de cantar e passou a
dedicar-se apenas ao piano, pois,
segundo ele mesmo, não possuía uma boa
voz.
O solovox
Nesta
fase, lançou o
primeiro solovox que chegou ao
Brasil. Jardel Jércolis trouxe para o
país este
pequeno sintetizador monofônico, de três
oitavas, que era acoplado ao piano
acústico, fazendo um som bem diferente.
Fabricado
pela
Hammond
Organ Co
norte-americana, entre 1940 e 1950, o
solovox foi o precursor dos
teclados eletrônicos em geral e era
conectado a um gabinete com um
amplificador valvulado e alto-falantes
de 8" que geravam o som. Clique
aqui para ver fotos
e ouvir o som deste instrumento.
O solovox,
o gabinete e o piano
Steinway & Sons
(que, no fim da década de 60, foi
aposentado profissionalmente) eram
guardados por Waldir, com muito carinho,
em sua própria casa.
Durante a Segunda Grande
Guerra
Waldir, já com algum
prestígio, foi convidado
por Paulo Magalhães a
acompanhar a cantora Heloísa
Helena numatemporada no teatro
Casino, da Companhia
Henry Garat, em Buenos
Aires, Argentina.Sete
meses depois, em 1940, a
morte de sua mãe obrigou-o a
voltar para o Brasil e
decidiu abandonar a música.
Numa entrevista ao Jornal do
Brasil em 1975, explicou que
Helena Calmon foi a grande
responsável por sua carreira.
"Foi minha mãe que me
ensinou a tocar piano,
ajeitando com paciência os
meus dedos no teclado.
Quando ela morreu, tive
raiva de tudo e resolvi
abandonar a música",
justificou. Foi trabalhar
então no banco Moreira
Salles,
mas, como ele próprio dizia,
"era um péssimo bancário".
Durante a Segunda Guerra,
foi convocado e serviu no
Batalhão de Guardas da
Presidência da República, no
Palácio do Catete, e um de
seus companheiros de pelotão
foi o compositor e pianista Dick Farney.
Aos poucos, Waldir voltou à
música e acumulou o trabalho
diurno com apresentações
noturnas. Neste período,
trabalhou no teatro Serrador,
na rádio
Globo
e na boate
Meia-noite,
do
Copacabana Palace.
Para conciliar tudo isso,
dormia apenas 30 minutos por
noite. "Eu tinha que acordar
cedo por causa do exército.
Colocava três despertadores
em uma panela e a vizinha
fazia o café para mim. Saía,
agarrado ao balaústre do
bonde, dormindo", lembrava
Waldir Calmon. Colocava o
único terno que possuía
entre o colchão e o estrado
da cama para ficar sempre
esticado. Foram tempos
difíceis, mas ele sempre
lembrava de seu passado com
o habitual bom-humor. Na
matéria abaixo, da
Revista do disco (maio
de 1953), Waldir conta um
pouco de sua trajetória.
Clique nas imagens para
aumentá-las.